Fed indica novo aumento de juros ainda em 2026 e crédito pode ficar mais caro

A ata da reunião de setembro do Federal Reserve, divulgada em 7 de outubro, mostra que a maioria dos dirigentes do banco central americano considera provável outra alta de juros ainda este ano. A decisão depende dos próximos dados de inflação, mas já sinaliza que o crédito deve continuar caro para quem toma empréstimo nos Estados Unidos.
Na reunião de 15 e 16 de setembro, o Fed subiu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00%. Foi o primeiro aumento desde 2023. Dos 18 integrantes do comitê, 16 já previam pelo menos mais um aumento até o fim de 2026.
Por que a inflação ainda preocupa o Fed
Pela medida preferida do Fed, os preços subiram 3,4% em agosto na comparação com o ano anterior. Descontando alimentos e energia, a alta foi de 3%. Dirigentes apontam que a inflação está presa entre 2,5% e 3%, bem acima da meta de 2%.
Entre as causas citadas estão o conflito no Irã, efeitos residuais das tarifas de importação, preços elevados de petróleo e gás, e o custo crescente de construção de data centers e semicondutores. O presidente do Fed, Kevin Warsh, disse que "a inflação está alta demais, e por tempo demais."
Quando a próxima alta deve sair
O mercado financeiro aposta que o Fed deve manter a taxa inalterada na reunião de 28 e 29 de outubro, com uma nova alta mais provável em dezembro. Até lá, bancos e administradoras de cartão costumam repassar o custo mais alto de captação para linhas de crédito, cartão empresarial e financiamento de equipamento.
O que isso muda para quem empreende aqui
Quem tem linha de crédito ou cartão empresarial com juro variável deve revisar o contrato agora e avaliar travar uma taxa fixa antes de dezembro.
Compras grandes de equipamento ou estoque que dependem de financiamento valem a pena ser antecipadas, já que o custo do dinheiro tende a subir, não cair, nos próximos meses.
Antes de repassar o aumento de custo para o preço final, vale lembrar que o consumidor americano também sente o aperto com alimentos, gasolina e moradia mais caros, o que pode reduzir a margem de manobra para reajustes.