Caminhar rápido pesa mais que bater 10 mil passos para reduzir risco de morte, aponta Harvard

Por anos, a meta de 10 mil passos por dia foi tratada como regra para quem quer viver mais. Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine, analisado pela Harvard Health Publishing em 2 de outubro, mostra que o ritmo da caminhada pode importar tanto quanto a quantidade de passos.
O que o estudo mediu
Pesquisadores acompanharam 64.743 adultos do Reino Unido, com idade média de 62 anos, por cerca de oito anos. Todos usaram rastreadores de atividade no pulso durante uma semana, o que permitiu medir não só quantos passos davam por dia, mas também a cadência, ou seja, quantos passos davam por minuto nos 30 minutos mais ativos do dia.
No período de acompanhamento, houve 1.697 mortes, sendo 502 por doença cardiovascular. O menor risco de morte apareceu entre quem caminhava de 7.500 a 10.000 passos por dia, num ritmo de aproximadamente 100 passos por minuto, equivalente a uma caminhada acelerada.
O achado que chama atenção
O ponto mais relevante do estudo é outro. Pessoas que caminhavam menos de 5.000 passos por dia, mas faziam isso em ritmo acelerado durante seus 30 minutos mais ativos, tiveram risco de morte parecido com o de quem caminhava entre 5.000 e 7.500 passos num ritmo mais lento. Ou seja, quem não consegue bater a meta de passos ainda ganha proteção real se apertar o passo em parte do trajeto.
A Harvard Health resume a recomendação prática assim: manter um ritmo de pelo menos 90 a 100 passos por minuto por cerca de 30 minutos ao dia parece ser um alvo sólido, mesmo para quem está longe dos 10 mil passos.
O que isso muda para quem empreende aqui
Dono de pequena empresa costuma dizer que não tem tempo para exercício. O estudo sugere que não é preciso reservar uma hora na academia para ganhar benefício.
Apertar o passo em trechos curtos do dia, como ir mais rápido até o carro, até o estoque ou até a mesa de um cliente, já conta como atividade de ritmo acelerado.
Quem usa relógio ou celular para contar passos pode acompanhar também a cadência, não só o total diário, e mirar períodos de caminhada mais rápida em vez de se cobrar apenas pelo número final de passos.
Para quem lida com funcionários em pé o dia todo, como em loja ou cozinha, vale lembrar que o ritmo do deslocamento pode ser um aliado de saúde, não só um detalhe da rotina de trabalho.